sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Capítulo I


Eu havia saído mais cedo da escola hoje. O que não era de se admirar pelo qual mês estávamos: Dezembro. Normalmente só tinham aulas na primeira semana desse mês, e logo sairíamos em férias de inverno. Como nosso inverno era muito rigoroso, as escolas europeias tomavam essa postura, o que era uma benção. As ruas, estradas e casas se abarrotavam de neve e frio que era praticamente impossível sair para algum lugar.  Esses últimos dias de aula nunca eram completas, geralmente alguns professores faltavam, alguns por se darem “férias” e outros por compromissos inadiáveis.
O que era o caso do meu professor de Literatura Irlandesa. O dia parecia mais noite pelo céu escuro e pela onda de frio, mas ainda não havia caído uma neve se quer. Como eu fazia todos os dias assim que saia da escola, eu ia para o restaurante que era da minha família. Por ter herdado o gene culinário de meu pai, eu – modéstia parte – era uma excelente cozinheira. Por isso, eu ajudava na cozinha do restaurante. Eu encarava aquilo como um trabalho e também uma maneira de relaxar. Ao cruzar a esquina que me dava acesso ao centro de Mullingar, eu avistei o estabelecimento. 
O lugar se destacava das demais construções por sua cor verde, apesar de apresentar o mesmo modelo um tanto rústico como as outras. Dava para se ler claramente as palavras “Mullingar Restaurant” em uma letra bastante elegante e dourada o que chamava atenção de qualquer pessoa. A grande porta que dava acesso ao interior do restaurante era feita de carvalho claro e assim que adentrava visualizava um grande espaço com acabamentos em madeira cobertos por mesas e cadeiras de mesmo material. Quem se sentava próximo à porta desfrutava de ter uma visão da rua, já que possuía uma grande janela.
Mesmo sendo rústico, o lugar era bem sofisticado, o restaurante havia lustres – cada um media certa distancia do outro. Havia ainda um pequeno bar, destinados apenas as bebidas. O balcão separava os clientes das diversas bebidas que se apresentavam convidativas aos clientes que as apreciavam. Adentrando um pouco mais notava-se a presença de uma grande lareira e em sua frente dois sofás cor de vinho. Geralmente os clientes mais jovens gostavam de ficar ali, já que apresentava um ambiente mais descontraído. O estabelecimento ainda tinha algumas plantas para alegrarem um pouco aquele visual marrom.
Indo um pouco ao leste, notava-se uma grande porta marrom com duas janelinhas redondas. Ali tinha-se acesso a cozinha, sem perder tempo, apressei ainda mais meus passos. Assim que eu entrei avistei panelas, fogões, frutas nas bancadas, carnes sendo preparadas e por fim, avistei meus amigos cozinhando. Eu os chamava de minha segunda família, já que passávamos bastante tempo juntos. Sorri ao notar que todos me desejavam boa tarde e fui até os armários para por minhas coisas e por meu avental. Sem perder tempo,  prendi meus cabelos para que não caísse nenhum fio nas comidas que eu iria preparar.

- Chegou cedo, Mary. Andou fugindo da escola? – Mark perguntou em um tom bastante brincalhão.
- Fugir da escola? Mary? Até que parece que você não a conhece, Mark. – Sasha debochou.
- Aposto que se avisassem aos alunos que a escola abriria no período de férias ela iria todos os dias. – Completou Nathan.
- Eu gosto de estudar mesmo, o que há de errado nisso?
                 
                Era sempre assim. Mark, Sasha e Nathan adoravam me abusar por eu ser... Digamos assim, estudiosa – o termo nerd é ofensivo. – eu conhecia meus companheiros de trabalho há bastante tempo. Apesar de serem mais velhos que eu, eles nunca me tratavam como uma garotinha. Mark era o tipo de pessoa que você pode contar sempre, ele é bastante engraçado e se precisar de ajuda, ele sempre estará lá. Ele era bonito mesmo eu achando que não fazia o meu tipo, mas as garotas da minha escola às vezes apareciam aqui só para vê-lo. Mark tinha os cabelos negros e a pele um pouco bronzeada e seus olhos eram cor âmbar. Era o tipo de aparência que não se encontrava nos moradores de Mullingar.
Nathan era mais reservado, e era o melhor amigo de Mark.  Foi uma das pessoas que eu mais demorei para conquistar. No inicio, ele trocava apenas algumas palavras, mas à medida que o tempo foi passando, acabei conquistando sua confiança e agora, éramos bons amigos. Nathan era muito calmo e geralmente, quando alguma coisa dava errado, ele era a pessoa que arranjava solução para tudo. Ao contrário de Mark, sua beleza era extremamente comum. Cabelos castanhos, olhos castanhos e pele branca. Havia uma única coisa que o diferenciava, Nate – como nós o chamávamos – tinha uma tatuagem de dragão no ombro esquerdo. Ele também tinha um pelo físico, quando não estava no restaurante, ele gostava de ir à academia. Eu só sabia desses detalhes porque Sasha, sua namorada me contava.
Definitivamente se eu tinha uma segunda melhor amiga era a Sasha. Ela tinha vinte e dois anos. Sasha tinha seu cabelo natural loiro, mas desde os vinte ela pintava de ruivo. E devo acrescentar que ela ficava melhor ruiva do que loira. Dentre o pessoal do restaurante eu a conhecia há mais tempo. Quase quatro anos, embora ficássemos mais amigas quando ela começou a trabalhar aqui. S. era uma garota que lhe dava os melhores conselhos do mundo. Sempre lhe escutava e se você se sentisse mal, ela estava lá pra te animar. Perdi a conta de quantos conselhos bons ela havia me dado desde que meu pai faleceu.

- As suas aulas terminam quando? – Sasha me perguntou enquanto me passava algumas verduras que eu deveria cortar.
- Amanhã. Tenho prova de física. – Suspirei cansada.
- Então porque veio? Deveria ter ficado em casa estudando. – Nate indagou do outro lado.
- Vocês sabem, se eu não viesse, Cassandra não iria gostar.
- Mary, a gente pode cuidar daqui. Era melhor você ir para casa estudar. – Mark aconselhou.
- Ah, eu posso estudar de noite, o assunto nem é tão difícil assim... – Franzi a testa. – Preciso de uma faca amolada.
- Na mão. – Mark me entregou. – Sério, como você consegue estudar de noite? Você sai daqui às 11.
- Não me diga que você anda estudando na madrugada? – Sasha pressionou.

            Eu sabia que se falasse sim, receberia uma bronca de todos os meus colegas. Então quando a porta se abriu e vi a figura da minha madrasta, eu agradeci secretamente, porque assim eu não precisava responder nenhuma pergunta. Cassandra olhou para todos nós e sorriu. Ela ficava incrivelmente alta com aqueles saltos, seus cabelos negros eram escorridos. Cassandra dava uma grande primeira impressão para qualquer pessoa.

- Vim avisar que sábado teremos um evento. Maura Gallagher pediu para que nós preparássemos alguns salgados e doces para o seu filho que está voltando. Parece que querem uma dar uma festinha ao garoto. Portanto, teremos que preparar essa lista aqui. – Cassandra entregou para Sasha a lista.
- Cassandra, é muita coisa. Não vai dar tempo para terminar e ainda sim ter os pedidos do restaurante. – Sasha comunicou.
- Não tem importância, Mary fará hora extra sábado e adiantará bastante coisa.
- Mas... Sábado é o dia de folga dela. – Mark olhou preocupado para mim.
- Mary, querida, você se importa de fazer hora extra sábado? – Cassandra sorriu.
- Humm... Eu posso vim. Não tem problemas.
- Ótimo! Agora vão trabalhar. Sem conversa.

             Assim que Cassandra saiu, Mark, Sasha e Nate suspiraram cansados e olharam para mim. Eu sabia o que viria em seguida, por isso, nem me dei o trabalho de olhar para eles, continuei cortando as verduras que haviam me pedido há alguns minutos atrás.

- Como você não consegue ver que ela está te tratando como uma escrava? – Sasha foi a primeira a falar
- Ela não me trata como escrava... Olha não tem nada demais eu não tirar meu dia de folga sábado.
- Você não tira folga há dias. Todo final de semana ela tem alguma coisa que te faz prender aqui. – Mark argumentou.
- Mas foram motivos importantes. – Contra-ataquei.
- Encerrar o chão? Limpar a cozinha? Regar as plantas? Por favor, Mary, acorda. – Nate falou.
- Olha, família ajuda uns aos outros, certo?
- Me diga uma vez que ela ou as filhas nojentas te ajudaram? – Sasha perguntou, como eu demorava para responder ela continuou. – Viu? Elas nunca fizeram nada por você.
- Elas ficaram comigo quando meu pai morreu.
- E seus avós? – Mark indagou.
- Nunca os conheci e nem sei onde eles estão. – Sorri tristemente.
- Você ainda vai acordar, Mary. E verá que o que sua madrasta faz é errado. Só espero que não seja tarde demais. 



Notas finais: Olá pessoal! A fic No Pique De Londres acabou, e vai me deixar muitas saudades. Vou guardar cada capítulo e cada comentário de vocês no fundo do meu coração. Mas essa fic também promete ser muita boa. Aparentemente parece um conto de Cinderella, não é verdade? Contudo, o que eu estou preparando não deixará que a fic fique no estilo clichê do conto. Acontecerá grandes coisas que tornará essa fic mais surpreendente que No Pique De Londres. Obrigada a todos que estão acompanhando, e eu espero que vocês deixem comentários dizendo o que estão achando. Xx

domingo, 30 de setembro de 2012

Prólogo



             Mullingar era uma cidade pequena. Pouco mais de dez mil habitantes. O ruim de morar em um lugar assim é que todo mundo te conhece. Não só quem você é, mas sua história, seus amigos, seus namorados e até seus segredos. Nunca gostei de morar aqui, na verdade, eu queria é morar na França. Já pensou em acordar e olhar pela sua janela e admirar a linda Torre Eiffel? Bom, aqui se você olhar pela sua janela, encontra casas e prédios baixos estilo medieval e uma área verde imensa. Nosso maior ponto turístico é a Mullingar Cathedral, embora de um ano para cá, todo mundo tem conhecido este condado por causa de um cantor famoso. Niall Horan.
Ele canta em uma banda chamada One Direction com mais quatro amigos. Soube que tanto ele quanto os outros componentes fazem muito sucesso com as garotas de todo mundo e aqui as coisas são iguais. Minha melhor amiga, Ally, é completamente louca pela banda e principalmente pelo Niall. Uma vez ela me disse que assim que ele a visse morreria de amores, casariam e seriam felizes para sempre. Eu sempre achei besteira isso, mas não falava para ela. Contudo, nos últimos dias, ela tem ficado um pouco eufórica demais. O motivo? Bom, depois de uma turnê pelos Estados Unidos o jovem cantor voltaria para sua terra natal para descansar. Aposto que Ally iria até a casa dos Horan para conseguir falar com ele.
Eu não tinha tempo para ficar atrás de cantores. Desde que meu pai morreu, eu tinha que ajudar minhas irmãs – elas não eram minhas irmãs de sangue apenas filhas da mulher com quem meu pai havia se casado – e minha madrasta a arrumar a casa e nosso restaurante. Não quero me gabar, mas nosso restaurante era muito famoso aqui e acredito que seja o melhor da região. Mullingar Restaurant era sem dúvidas o sonho do meu pai. Ele era um grande chefe na cozinha, felizmente eu tive muita sorte em herdar essa habilidade. Geralmente eu saia depois da aula para ajudar na cozinha do estabelecimento.
Como qualquer garota, eu tinha planos, mas não planos como os de garotas da minha idade. Eu queria viajar por todo o mundo! Conhecer culturas, pessoas diferentes... Sempre fui grata às pessoas que se preocupavam comigo aqui em Mullingar, mas esta cidade me remetia a muitas lembranças tristes. Eu me sentia estranha aqui. Não podia esquecer nem por um minuto o meu passado que já haviam pessoas que faziam questão de lembrar. Muitas se remetiam a mim como “a garota órfã”. Eu queria ser conhecida como Mary Jones, a garota de pele branquinha, com cabelos cor de mel e olhos claros, que sonhava secretamente em sair daquele lugar e tentar viver uma vida nova.

sábado, 29 de setembro de 2012

Informações sobre a fic




Mary Jones não é nem de longe uma típica adolescente que mora em Mullingar, Irlanda. Assim que ela nasceu, sua mãe a abandonou e mesmo com essa atitude, sua filha não guardou nenhum rancor sobre a mãe que nunca teve. Mary contava sempre com seu pai - mesmo depois dele ter se casado novamente. Por um trágico acidente, seu pai acaba morrendo, deixando-a com a sua madrasta e mais duas "irmãs" que adoram explorar a pequena irlandesa. Seu passado, apesar de triste, não a transformou em uma pessoa amargurada. Doce, carinhosa, determinada e inteligente, Mary consegue conquistar todos a sua volta. Inclusive um certo cantor de uma banda famosa chamada One Direction. Contudo, várias pessoas sentem inveja da jovem, inclusive as pessoas que ela chama tão carinhosamente de "família" e isso a causará sérios problemas.

Classificação: +16 
Gêneros: Amizade, Romance
Publicada: 29/09/2012